Coragem
Medalha da Coragem: quando alguém reconhece a força que você precisou ter
Um pequeno adesivo colado em um blazer branco no último dia de sessões de radioterapia.
Existem momentos da nossa vida que, quando vistos de fora, parecem muito simples.
Uma fotografia pode mostrar um sorriso.
Um pequeno adesivo pode parecer apenas um adesivo.
E uma última sessão pode parecer apenas o encerramento de mais uma etapa.
Mas ninguém sabe tudo o que existe por trás daquele momento se a gente não contar.
E talvez seja por isso que eu queira contar a história da Medalha da Coragem.
Porque naquele dia, quando ela foi colocada no meu blazer branco, eu não estava recebendo apenas um pequeno símbolo.
Eu estava chegando ao final de uma etapa que exigiu muito de mim.
O Medo do Desconhecido
Antes de receber a Medalha da Coragem, existiu o medo.
O medo do desconhecido.
Aquela pergunta que tantas vezes passou pela minha cabeça:
> “O que será que vem agora?”
Eu não sabia como o meu corpo responderia à radioterapia.
Tudo é muito diferente quando você sabe que a aplicação é indolor, mas também sabe que seu corpo está recebendo uma radiação e que, de alguma maneira, ele vai responder a isso.
Eu precisava estar firme.
E eu também precisava cuidar do meu corpo.
As sessões começariam às 6h50 da manhã.
Então criei uma rotina para aqueles 15 dias.
Eu acordava às 4h da manhã.
Fazia cerca de 40 minutos de atividade física e depois me preparava para ir ao hospital.
Chegava por volta das 6h15.
E foi na primeira sessão, na minha primeira vez, que precisei fazer uma escolha:
eu não podia deixar que o medo ocupasse todo o espaço da minha cabeça.
Eu precisava tirar o foco dos pensamentos ruins.
Foi então que me agarrei ainda mais à minha fé.
Pensei:
> Se Deus já havia feito tantas coisas boas comigo durante todo esse caminho, Ele faria de novo.
E eu repetia isso para mim.
Todos os dias.
Durante todas as sessões, eu recitava o mesmo versículo:
> “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou no coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.”
Era assim que eu entrava.
Era assim que eu enfrentava aqueles minutos.
E havia uma certeza que me acompanhava:
> Deus faria de novo.
10 minutos e 47 segundos
A sessão durava 10 minutos e 47 segundos.
Dez minutos e quarenta e sete segundos.
Pode parecer pouco.
Mas, para mim, cada sessão carregava uma história inteira dentro dela.
E tudo passou muito bem.
Sem nenhuma intercorrência.
Eu seguia me cuidando.
Depois das sessões, caminhava cerca de 17 minutos até chegar ao metrô.
Mais tarde, descobri que aquele movimento também fazia bem ao corpo depois da radioterapia.
Mas aprendi outra coisa:
quando chegava em casa, o corpo precisava descansar.
E eu respeitava isso.
Foram 15 sessões assim.
Quinze manhãs.
Quinze vezes acordando às 4h.
Quinze vezes escolhendo não alimentar pensamentos ruins.
Quinze vezes colocando a minha fé à frente do medo.
Quinze vezes repetindo:
> Deus faria de novo.
Meu ritual de guerra
Além de cuidar do corpo através da atividade física, também criei uma rotina para cuidar da minha pele.
Foi durante esse período que descobri a água micelar Avène, que eu utilizava depois das sessões.
E, cerca de três horas depois da radioterapia, aplicava Cicaplast, da La Roche-Posay.
Aquilo virou o meu ritual.
Meu ritual de guerra para aquela etapa.
Eu queria fazer a minha parte.
- Cuidar da pele.
- Cuidar do corpo.
- Cuidar da mente.
- Cuidar da minha fé.
E o resultado foi maravilhoso.
Minha pele ficou muito bem durante todo o período — e hoje, olhando para ela, continuo impressionada com o quanto tudo correu bem.
Sei que cada pessoa responde de uma maneira diferente e que os cuidados precisam respeitar as orientações da equipe que acompanha cada caso.
Mas, na minha experiência, aquele cuidado fez parte da maneira como atravessei aqueles 15 dias.
Eu fiz a minha parte.
E Deus fez — e continua fazendo — a parte Dele.

A Força que me Sustentou
A coragem não apareceu de uma vez.
Ela foi sendo construída ao longo do caminho.
Em cada dia em que precisei seguir.
Em cada momento em que precisei acreditar.
Em cada vez que escolhi continuar olhando para frente.
Eu me mantive firme.
Eu permaneci forte.
Mas hoje, olhando para tudo o que vivi, sei de onde veio essa força.
Veio de Deus.
É a Ele que dou honra por tudo o que vivi e por tudo o que consegui atravessar.
Foi Deus quem me sustentou.
Foi Ele quem me deu energia para continuar.
Foi Ele quem renovou minhas forças.
Foi Ele quem me fez acreditar que conseguiria passar por cada etapa.
E eu digo isso aos quatro ventos: > até aqui, Deus me sustentou.
Por isso, quando falo sobre coragem, também falo sobre fé.
Eu tive pessoas maravilhosas ao meu lado. Fui acolhida, cuidada e amparada por profissionais que fizeram diferença em momentos muito importantes.
Mas dou a Deus a honra que é Dele.
Porque foi Nele que encontrei a força para permanecer de pé.
E Então Veio a Medalha da Coragem
Naquele dia, eu havia acabado de fazer a última sessão de radioterapia.
Como acontece ao final dessa etapa, passei pela consulta médica.
Naquele período, tive o privilégio de ser acompanhada pelo Dr. Lucas e pela Dra. Osanna.
Naquele dia, foi a Dra. Osanna quem estava comigo.
Conversa vai, conversa vem, falamos sobre aquele momento, sobre a vida e também sobre o meu trabalho, sobre design e sobre as coisas que fazem parte de mim para além de qualquer tratamento.
Até que ela me disse:
> “Eu tenho um presente para você.”
Ela foi até uma pequena portinha próxima à maca e tirou de lá um adesivo.
Uma medalha.
A Medalha da Coragem.
Eu estava usando um blazer branco naquele dia.
E ela colocou a medalha nele.
Eu fiquei muito emocionada.
Muito.
Porque, para quem olha de fora, talvez aquilo pudesse parecer apenas um pequeno adesivo.
Mas, para mim, não era.
Um pequeno gesto. Um significado enorme.
Aquela medalha representava a coragem que eu precisei encontrar durante todo aquele caminho para seguir firme e acreditar que conseguiria atravessar cada etapa da melhor maneira possível.
E eu consegui.
Aquele momento representava o encerramento de uma etapa muito importante.
Mas receber aquela medalha fez com que eu percebesse que talvez eu estivesse olhando apenas para o fim de uma fase, enquanto aquele pequeno símbolo me convidava a olhar para todo o caminho que havia percorrido até chegar ali.
Foi assim que um pequeno adesivo ganhou um lugar tão grande na minha memória.
Eu não o recebi simplesmente como um prêmio.
Recebi como um gesto de carinho, cuidado e reconhecimento.
A Dra. Osanna é uma pessoa muito carinhosa, muito amorosa e muito atenta.
E acredito que aquele gesto tenha sido uma forma delicada de reconhecer algo que, muitas vezes, quem está vivendo uma situação difícil precisa ouvir:
> “Eu vejo o quanto você foi corajosa.”
A história por trás da medalha
Foi depois que descobri que aquela pequena Medalha da Coragem carregava uma história que eu ainda não conhecia.
Soube que a iniciativa havia sido idealizada pela Dra. Osanna como uma forma de reconhecer pacientes que chegavam ao final daquela etapa, mas que a ideia não chegou a seguir adiante da maneira como havia sido pensada.
É uma história que ainda quero conhecer melhor.
Quero ouvir dela como nasceu essa ideia, o que ela imaginava quando pensou naquele pequeno símbolo e o que aquela medalha representava para ela.
Mas uma coisa eu já sei.
Eu sei o que ela representa para mim.
As pessoas também fazem parte dessa lembrança
Durante as sessões de radioterapia, fui muito bem cuidada.
E quando digo isso, penso em todas as pessoas que fizeram parte daquela etapa.
Cada profissional, cada cuidado, cada orientação, cada gesto de acolhimento teve sua importância.
Mas este artigo não é sobre listar nomes ou funções.
É sobre a Medalha da Coragem.
E sobre o que ela passou a representar para mim.
O setor de radioterapia se tornou um lugar muito especial na minha memória.
Ali encontrei pessoas incríveis, que tornaram aquela etapa mais humana, mais acolhedora e, de muitas maneiras, mais leve.
São pessoas que vou levar para sempre no coração.
Porque, quando estamos atravessando momentos importantes da vida, nem sempre conseguimos dimensionar, naquele instante, o impacto que um gesto de cuidado pode ter.
Às vezes, uma palavra.
Um sorriso.
Uma atenção.
Um carinho.
Ou até mesmo um pequeno adesivo colocado em um blazer branco.
Hoje, quando olho para a medalha...
Talvez seja por isso que eu guarde essa medalha com tanto carinho.
Ela me faz lembrar daquele dia.
Da última sessão.
Do blazer branco.
DaDra. Osanna.
Das pessoas que estiveram comigo naquela etapa.
Mas, acima de tudo, ela me faz lembrar de mim.
Da mulher que estava ali naquele dia.
Da mulher que acreditou.
Da mulher que teve coragem.
Da mulher que continuou.
E, sempre que olho para aquela pequena medalha, eu não vejo apenas um adesivo.
Eu vejo uma história.
Uma história de coragem, de cuidado, de fé e de encontros que fizeram diferença.
E talvez essa seja a verdadeira força dos pequenos gestos:
eles podem durar muito mais do que o momento em que acontecem.
Para quem está atravessando uma etapa difícil
Se você está passando por um tratamento ou por qualquer momento difícil da sua vida, talvez exista algo que você ainda não consiga enxergar.
Talvez você esteja apenas tentando chegar ao próximo dia.
À próxima consulta.
Ao próximo passo.
E tudo bem.
Mas espero que, em algum momento, alguém também consiga olhar para você e reconhecer aquilo que talvez você mesma ainda não esteja conseguindo perceber:
a sua coragem.
Porque, às vezes, precisamos que alguém nos lembre da força que existe dentro de nós.
Eu tive esse momento.
Foi no último dia de sessões de radioterapia.
E veio na forma de um pequeno adesivo colado em um blazer branco.
A minha Medalha da Coragem.
E hoje, quando olho para ela, existe algo que sei e que quero dizer aos quatro ventos:
> ATÉ AQUI, DEUS ME SUSTENTOU.
E talvez essa seja a maior coragem que carrego comigo: continuar acreditando, continuar caminhando e continuar confiando.
Porque eu sei de onde veio a força que me trouxe até aqui.
E sei que Deus continuará me sustentando.

- #medalha da coragem
- #fé
- #coragem
- #radioterapia
- #câncer de mama
- #cuidado
- #força
- #histórias reais